Por que a profissão que paga R$ 20 mil por mês está com falta de profissionais e pode levar anos para se recuperar
Profissão que paga R$ 20 mil por mês: Crise pela falta de pilotos! Entenda causas, salários, impactos nas companhias aéreas e por que a normalização ainda deve levar anos.

Crise de piloto de avião: causas, salários e por que companhias aéreas dizem que a normalização deve levar “alguns anos”
A falta de profissionais na carreira de piloto de avião virou um problema global, sentido com força no Brasil. A retomada das viagens após a pandemia expôs um déficit que se formou durante os anos em que o setor estava parado, e que agora afeta horários, rotas e a capacidade das companhias aéreas de ampliar voos.
Segundo reportagem do g1, o treinamento de pilotos foi suspenso em vários países durante e após a pandemia de covid-19, quando ainda não se sabia bem como a pandemia ia afetar o setor de viagens.
Além da suspensão dos cursos, a própria pandemia acelerou decisões pessoais, e muitos profissionais veteranos escolheram a aposentadoria. Esse duplo efeito, redução na formação e aumento nas saídas da profissão, agravou a escassez.
Como explicou ao g1 Christoph Klingenberg, especialista em gestão de companhias aéreas e aeroportos da Universidade de Ciências Aplicadas de Worms, na Alemanha, essa situação deve levar “alguns anos” para se normalizar.
Quanto ganha um piloto de avião e por que o salário não basta para atrair profissionais
O salário da profissão chama atenção: segundo o UOL, “a média salarial fica em torno dos R$ 20 mil.” Esse valor refere-se, conforme a classificação do portal, à categoria de piloto de aeronave, que reúne a maior parte dos pilotos registrados no Brasil. Ainda assim, a remuneração média não tem sido suficiente para cobrir o vácuo gerado pela queda no ingresso de novos profissionais e pelas aposentadorias aceleradas.
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Há diferenças salariais conforme o segmento de atuação e o tipo de aeronave, o que significa que o mercado oferece faixas bem distintas entre aviação comercial de grandes companhias, aviação regional, táxi aéreo, helicópteros e aviação agrícola. Mesmo com salários atrativos em alguns nichos, a formação exige tempo, investimento e certificações rigorosas, fatores que retardam a recomposição do quadro de pilotos.
Onde o problema começou e por que levou tanto tempo para aparecer
O problema começou quando as escolas e centros de treinamento suspenderam atividades por causa das incertezas da pandemia. Com menos cadetes sendo formados, o pipeline de profissionais “secou” nos anos mais críticos da crise sanitária. Ao mesmo tempo, pilotos mais experientes, diante da paralisação do tráfego aéreo e de perspectivas incertas, optaram por aposentadoria ou mudança de carreira, reduzindo ainda mais a oferta de mão de obra qualificada.
Agora, com a demanda por viagens recuperada, as companhias aéreas se deparam com um mercado em que a oferta não acompanha a procura. Além da recomposição do número de formandos, há necessidade de experiência prática, de horas de voo e de reciclagem técnica, etapas que demandam tempo. Por isso, especialistas alertam que a retomada plena do equilíbrio entre oferta e demanda será gradual.
O que as empresas e o setor estão fazendo para enfrentar a falta de pilotos
Companhias aéreas e escolas de aviação têm ampliado programas de formação, oferecido financiamentos e parcerias para reduzir barreiras de entrada, e buscado atrair profissionais de outros países. Algumas empresas também ajustaram planos de carreira e benefícios para reter pilotos experientes, enquanto outras adaptaram malhas aéreas para priorizar rotas mais rentáveis diante da escassez.
Especialistas apontam que medidas de curto prazo, como otimização de escalas e contratação internacional, ajudam, mas não resolvem o problema estrutural. A recuperação plena depende de investimentos consistentes em formação e de um horizonte temporal mais longo — razão pela qual Christoph Klingenberg afirma que a normalização deve levar “alguns anos”.
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Para quem avalia carreira, a profissão de piloto de avião continua atraente pelo rendimento e pela estabilidade em alguns segmentos. No entanto, entrar na profissão exige planejamento, tempo e recursos para cumprir horas de voo e certificações. Para as companhias, a prioridade neste momento é equilibrar operações, preservar segurança e acelerar programas de formação, enquanto o setor busca um novo ponto de equilíbrio.
Conclusão | Carreira de Piloto de Avião

Em resumo, a combinação entre suspensão do treinamento durante a pandemia, aposentadorias antecipadas e a exigência por experiência transformou a escassez de pilotos de avião em um desafio que vai muito além dos salários. A solução exige ações coordenadas entre empresas, escolas e reguladores, e paciência, porque a normalização, segundo especialistas, não será imediata.
